O enterro da cafetina

O enterro da cafetina

Sinopse

O mundo dos personagens de Marcos Rey começa quando o sol se põe e a noite cai sobre a cidade de São Paulo. Então, boêmios, garotas de programa, gigolôs, guerrilheiros urbanos (o livro foi escrito nos dias da ditadura militar), dançarinas de cabarés, taxi girls, alcoólatras começam a sair das tocas, como ratos famintos, em busca de aventuras, de divertimento, de um trouxa, de um trocado, de uma garrafa de alcool, ou do simples e exato exercício de suas profissões. Como diz o autor, "são homens e mulheres que param nos bares, restaurantes, inferninhos, cabarés, boates e em certas casas onde tudo se tolera", por vocação ou erro de educação, dor de cotovelo ou outra dor qualquer, vagabundagem. A noite paulistana, seus mistérios e misérias, faz a unidade de "O Enterro da Cafetina", atando os sete contos entre si e formando um grande painel.O que contam essas histórias? Coisas terríveis que acontecem na noite, como diz a Bíblia, mas também casos surpreendentes, quase patéticos, insuspeitas generosidades. Noitadas de amigos, regadas a muito alcool, que terminam de forma trágica; o gigolô bem-sucedido, homem de muitas mulheres, apaixonado por uma moça de família, a quem auxilia financeiramente; a morte e o enterro retumbante da velha cafetina; jogos de sedução em que cada um procura lograr o outro; a ação de guerrilheiros mais ou menos trapalhões; um caso de ciúmes neurótico; o redator alcoólatra lutando pela sobrevivência. Com um texto fluente, enxuto e domínio absoluto do conto, Marcos Rey acompanha com naturalidade e sarcasmo, por vezes zombeteiro, as pequenas odisseias de suas criaturas, trituradas pela cidade grande, incapazes de encontrar um sentido para a vida e se lixando para isso, interessadas apenas em viver o imediato. Como autênticas criaturas da noite.

Autor

Autor de uma vasta produção de obras literárias e audiovisuais, assumiu o ofício de escrever o tempo todo, e viveu de seus textos e criações. Destacou-se pela qualidade de seus contos e romances – literatura de realismo urbano – captando e recriando a atmosfera da grande cidade e de seus personagens; e a aristocracia, a classe média e a vida noturna. Marcos Rey escrevia como se estivesse filmando o cotidiano e a realidade da metrópole paulistana. Nasceu em São Paulo em 1925, e desde a infância era um inveterado leitor. Publicou seu primeiro conto aos 16 anos no jornal Folha da Manhã, já usando o nome "Marcos Rey" (Edmundo Donato era seu nome verdadeiro). Seu primeiro romance publicado foi Um Gato no Triângulo , em 1953. Habilidoso e versátil, Rey passou pelos anos 50, 60, 70, 80 e 90 como cronista, contista, roteirista de rádio, televisão e cinema, em programas de humor, rádio-almanaques, novelas e minisséries, e também foi redator publicitário. É autor de uma deliciosa coleção de romances de aventura e mistério para jovens leitores, livros escritos anualmente a partir da década de 1980, como O mistério do 5 Estrelas, O Diabo no Porta-malas e Sozinha no Mundo, entre outros grandes sucessos de público.