Novo mundo nos trópicos

Novo mundo nos trópicos

Sinopse

No livro, Freyre faz uma análise da colonização portuguesa do Brasil, ressaltando as vantagens que a sociedade brasileira adquiriu devido à sua variada composição étnica. O recurso à história comparativa é bastante presente em "Novo mundo nos trópicos". Freyre contrapõe, por exemplo, as violências dos regimes ditatoriais em nações da América do Sul à solução brasileira de equilíbrio dos antagonismos, a qual teria dado a luz a uma civilização que tendeu para a assimilação das diferenças na resolução de seus conflitos políticos e raciais. Freyre visualiza a sociedade brasileira como um exemplo de civilização moderna nos trópicos, que soube incorporar valores europeus sem perder as raízes identitárias de sua nacionalidade. Em "Novo mundo nos trópicos", Freyre retoma teses cruciais de suas obras anteriores, como sua concepção acerca da condição do país como exemplo de democracia étnica e social, dentro da qual os descendentes de negros e de índios tiveram oportunidade de ocupar posições de destaque na sociedade.

Autor

Nasceu no Recife (PE), em 1900. Iniciou seus estudos no Colégio Americano Gilreath e completou a sua formação nos Estados Unidos, onde frequentou as universidades de Baylor (Texas) e Colúmbia (Nova York). Retornou ao Recife em 1923, passando a exercer diversas atividades no âmbito da cultura e do ensino no Brasil e no exterior. Ocupou o cargo de deputado federal (entre 1946-1950), quando criou o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Dedicou-se aos estudos sobre cultura e sociedade brasileiras, organizou congressos e realizou diversas conferências. Fez carreira acadêmica, de artista plástico, jornalista e cartunista no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. Manteve, porém, uma grande ligação com Pernambuco, em especial Olinda e Recife. Com o livro Casa-Grande & Senzala, publicado em 1933, Gilberto Freyre revolucionou a historiografia. Ao invés do registro cronológico de guerras e reinados, ele passou a estudar o cotidiano por meio da história oral, documentos pessoais, manuscritos de arquivos públicos e privados, anúncios de jornais e outras fontes até então ignoradas. Usou também seus conhecimentos de antropologia e sociologia para interpretar fatos de forma inovadora. Freyre recebeu diversas homenagens. Entre elas, em 1962, o desfile da escola de samba Mangueira, com enredo inspirado em Casa-grande & Senzala. Foi doutor pelas Universidades de Paris (Sorbonne, França), Colúmbia (Estados Unidos), Coimbra (Portugal), Sussex (Inglaterra) e Münster (Alemanha). Em 1971, a rainha Elizabeth 2ª lhe conferiu o título de Sir (Cavaleiro do Império Britânico). Seu livro Casa-grande & Senzala está entre as obras essenciais para o entendimento da identidade brasileira. Freyre faleceu em 1987, aos 87 anos.