Melhores crônicas Ignácio de Loyola Brandão

Melhores crônicas Ignácio de Loyola Brandão

Sinopse

O cronista Ignácio de Loyola Brandão mantém um caso de amor e ressentimento com a cidade de São Paulo. Como em toda relação desse tipo, a ternura convive com a irritação, as palavras de carinho podem se transformar em setas envenenadas, cheias de queixas, os pequenos problemas do cotidiano costumam se sobrepor aos grandes safanões que a vida dá a cada um, apaixonado ou não. São Paulo é a grande personagem do cronista. E assim foi desde que esse paulista de Araraquara, jornalista de profissão, chegou a São Paulo, no longínquo ano de 1957. Autor de romances de sucesso, com mais de quarenta livros publicados e mais de um milhão de volumes vendidos, pode-se dizer que é na crônica que Ignácio de Loyola expressa com mais veemência as suas opiniões e reações, ou, pelo menos, aquelas opiniões e reações nascidas do atrito diário com a vida e a cidade que escolheu para viver, amar e se irritar. Claro que o cronista, homem viajado, conhecendo muitas cidades, gosta também de contar as suas vivências, encantamentos e decepções vividos no exterior. Mas, em cada uma das crônicas, situadas longe do ar poluído da Pauliceia, parece que se ouve sempre, numa surdina eloquente, a voz de São Paulo. É uma fatalidade abençoada pelos leitores que, dessa forma, através da prosa limpa e clara do cronista, têm oportunidade de juntar ao prazer com a leitura do texto o prazer de descobrir e saborear aspectos da sua cidade. Ignácio de Loyola dela nos dá um retrato de corpo inteiro, denunciando as suas mazelas (o barulho permanente, as ruas esburacadas, o trânsito caótico) e os aspectos agradáveis: as incursões pelos sebos, os prazeres gastronômicos e a redenção de todas as irritações e protestos, quando o cronista, do alto do seu apartamento, lava os olhos nas cores da aurora e se reconcilia com a sua cidade. Amor e ressentimento.

Autor

Jornalista e escritor, Brandão publicou dezenas de livros, entre romances, contos, crônicas e viagens, além de ter participado de várias antologias. Nasceu em Araraquara (SP), em 31 de julho de 1936. Filho de um ferroviário, tornou-se crítico de cinema aos 16 anos, quando soube que crítico não pagava entrada em cinema. Assim enveredou pelo jornalismo. Em 1957, mudou-se para São Paulo e foi trabalhar no jornal Última Hora como repórter. Estreou com um livro de contos sobre a noite paulistana, Depois do Sol. Seu primeiro romance, Bebel que a Cidade Comeu, foi publicado em 1968. Em 1974, foi lançado na Itália o romance Zero, sua obra mais conhecida. Editado no Brasil no ano seguinte, o livro foi proibido em 1976 pelo Ministério da Justiça do governo Geisel. A obra só seria liberada em 1979. Em 1993, iniciou colaboração semanal no jornal O Estado de S.Paulo. Em 1996, submeteu-se a uma cirurgia para a retirada de um aneurisma cerebral e registrou a experiência no livro Veia Bailarina, em 1997. Tendo como cenário a ditadura militar e o exílio, sua obra romanesca faz uma crítica amarga da sociedade brasileira, mas também fala de amor e solidão. Em julho de 2001, por ocasião de seu aniversário, foi homenageado pelo Instituto Moreira Salles, com a publicação de sua vida e obra no volume 11 da série Cadernos de Literatura Brasileira. Em suas crônicas, são frequentes as referências à infância em Araraquara, aos colegas de geração e ao cotidiano da cidade de São Paulo.